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Vidros revolucionam o design dos carros
Teto panorâmico, vidros fotocromáticos e desenhos curvos viraram tendências.
Fabricantes buscam unir conforto, elegância e segurança.
Congestionamentos cada vez mais caóticos têm transformado o carro em uma extensão da casa. Por esse motivo, a preocupação dos designers de automóveis hoje é criar um ambiente cada vez mais confortável e natural para o motorista. Assim, o vidro se torna um dos principais materiais utilizados pelas montadoras para reforçar a interação do interior do veículo com o ambiente — como é o caso dos tetos panorâmicos — e tornar o carro mais atraente.
A tendência justifica o motivo de diversos lançamentos e protótipos apresentados nos últimos meses em salões internacioanais ter chamado tanto a atenção do público consumidor. As inovações passam pelos Mustang V6 e GT, o Citroën CsportLounge, o Peugeot 308 Touring, entre outros.
“A iluminação natural é cada vez mais bem-vinda e as tecnologias têm favorecido para isso”, explica o coordenador do curso de design da mobilidade da Faap, Carlos Armando Castilho. No mercado brasilerio, é possível notar tal mudança em carros como o Fiat Idea, o Chevrolet Zafira e o Peugeot 206.
De acordo com o diretor-geral da fabricante de vidros automotivos Saint-Gobain Sekurit, Manuel Corrêa, a importância do vidro automotivo tem aumentado cada vez mais, tanto pelo aspecto estético quanto pela segurança. “Na época do Fusca, do Fiat 147, a área envidraçada era muito menor, de cerca de 2m² por automóvel. Hoje, são mais de 4m ², em média, e já existem automóveis com cerca de 7m² ”, afirma Corrêa.
O aumento da área envidraçada se deu graças ao avanço tecnológico, que permitiu o desenvolvimento de vidros mais esféricos, que substituem os tradicionais planos. “Os carros têm evoluído em processo de produção e metalurgia, com ligas mais variadas em resistência. Então, podemos desenvolver projetos muito precisos, permitindo aplicar uma área maior de vidro sem trincas”, afirma Castilho.
Do Batmóvel ao Mustang
A idéia do “carro de vidro” surgiu na década de 1950, com o apelo dos “dream cars” (carros do sonho, em inglês). Na época, os designers se inspiraram em bolhas de material plástico, usado nas janelas dos aviões. O primeiro protótipo com teto panorâmico foi o Lincoln Futura, da Ford, apresentado no Salão de Chicago em 1955. O modelo foi a base para o Batmóvel, o carro de Batman.
"Algumas empresas chegaram a lançar alguns carros de linha com esses tetos de duas bolhas. Mas o carro virava estufa, porque o calor entra e não sai", explica o professor Castilho. Segundo ele, os vidros não eram utilizados porque a tecnologia da época não permitia a fabricação de vidros com curvas.
Além do design, o desafio das fabricantes de vidros automotivos é desenvolver o maior número possível de itens que aumentem o conforto do carro. No caso, os vidros fotocromáticos, escurecidos, com sistema anti-embaçante no pára-brisas e com sensor de chuva têm ganhado cada vez mais espaço no mercado.
No caso do Brasil, os vidros escurecidos deverão começar a sair de linha ainda este ano. A tecnologia dispensa a aplicação das películas de proteção solar. Segundo o diretor-geral da Saint-Gobain Sekurit, os investimentos para a tecnologia só puderam ser implementados porque em novembro do ano passado o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou a resolução 254, que permite que os automóveis sejam equipados com vidros de transparência luminosa de 28% para a parte traseira.
Apesar de maiores, os vidros passaram a contribuir também para a redução dos efeitos térmicos no interior do veículo, como o desgaste dos tecidos. Manuel Corrêa explica que os engenheiros dedicaram-se a dar ao vidro recursos para reduzir o nível de transmissão de raios UV e de refletir imagens que possam comprometer a visão do motorista.
Para Castilho, uma das possíveis tendências de controle da incidência de calor é a utilização de duas laminas de vidros com cristal líquido entre elas, como já existe na construção civil para o controle de luminosidade. “É uma tecnologia utilizada em arquitetura que pode ser aplicada nos carros”, observa.